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domingo, 24 de fevereiro de 2013

Lincoln - Malu Corrêa


No mundo cinematográfico, Steven Spielberg é conhecido por sua dedicação aos projetos que produz, escreve e, principalmente, dirige. Lincoln, seu novo filme merecidamente indicado à 12 estatuetas, é uma das maiores provas disso: foram 12 anos de pesquisa para deixar o filme o mais perfeitinho possível.

Falar que Lincoln só pode ser apreciado por norte-americanos (ah, o nacionalismo...) é pura bobagem. Toda a questão da 13a emenda é muito interessante, e Spielberg faz um ótimo trabalho em retratá-la. Em quesito direção, é indiscutível que esse é um dos melhores trabalhos de Spielberg (na minha humilde opinião, fica beeeeem perto de E.T, O Terminal e A Lista de Schindler); o elenco, por sua vez, é fora do comum. Daniel Day Lewis, que quase não aceitou o papel por medo de não conseguir interpretar um personagem tão icônico, mostra mais uma vez porque só faz filmes de vez em quando: o cara se esforça tanto para fazer um bom trabalho que fica impossível não ficar impressionado com suas atuações. Vale também reconhecer os esforços de Sally Field que, de tanto insistir para interpretar a Mrs. Lincoln, conseguiu o papel e mostrou o que pode fazer (lembrando que ela é 20 anos mais velha que sua personagem).

Nas categorias mais “técnicas”, Lincoln obviamente também se destaca: das 7 indicações, deve levar pelo menos uns 3 Oscars (o screenplay adaptado de Tony Kushney é brilhante).

Enfim, para quem curte história e cinema, Lincoln é imperdível e tem grandes chances de ganhar o grande Oscar desse ano. E esse papo de que é só porque é sobre presidente americano é puro lero, hein?


O Lado Bom da Vida - Malu Corrêa


Quando eu vi o trailer de O lado Bom da Vida, não achei que seria nada demais, muito menos tão aclamado pela Academia. Claro que o elenco chama a atenção de cara, mas me pareceu meio trendy; todo ano rola um filme de tema parecido. Porém, a simplicidade do filme conquista quem assiste de cara.

Contando a história de um cara bipolar que volta a morar com os pais depois de uma temporada num hospital psiquiátrico, o filme é super atual, além de ser mais identificável para o público do que seus concorrentes do Oscar. A determinação de Pat (Bradley Cooper) a ver as coisas positivas na vida, mesmo com todos os problemas que ele tem, é cativante do começo a fim; você se encontra torcendo por ele durante o filme inteiro. Isso sem falar da personagem de Lawrence, cuja história é de partir o coração.

O mais bacana do filme todo é a performance de Jennifer Lawrence. Atualmente conhecida como a garota de The Hunger Games, ela mostra que ela é muito mais do que uma atriz meio teen, com uma atuação digna de aplausos (e do Oscar também).
É um filme muito bem feito: David O. Russell mostra um novo estilo, bem diferente daquele de O Maquinista. Porém, acho improvável que leve melhor diretor, especialmente quando ele concorre com grandes nomes como Steven Spielberg e Ang Lee. Já melhor filme, não acho que tenha chance contra mega produções como Lincoln ou Os Miseráveis. Se bem que a Academia adora surpreender de vez em quando, né?

As Aventuras de Pi - Malu Corrêa


Talvez para nós, brasileiros, As Aventuras de Pi seja o filme mais polêmico desse ano, né? Para quem não sabe, o livro As Aventuras de Pi foi acusado de plágio. E sabe quem escreveu “Max e os felinos”, o livro que supostamente “inspirou” (no mínimo) o escritor canadense Yann Martel? O BRASILEIRO Moacyr Scliar. Embora tenha comentado a semelhança das duas histórias ( “O que ele quis fazer foi aproveitar uma boa ideia estragada por um mau escritor brasileiro”), Scliar nunca processou o canadense, que se defende dizendo que “Max e os felinos” foi a semente de Pi. Suspeito, né?

Mas falando de filme, Pi realmente é interessante. Ang Lee fez de uma história complicada de transferir para as telas em um espetáculo para os olhos. O filme é, no mínimo, lindo lindo lindo; Lee super mereceu ser indicado a melhor diretor. O novato Suraj Sharma, que interpreta personagem principal faz uma bela estréia.

No que diz respeito a história, eu... Gostei. Mais ou menos. Não porque eu tenha a achado ruim nem nada, mas por ser muito subjetiva. Todo o aspecto de esperança e superação eu entendo e achei até bacana, mas a relação toda com a tigre foi meio que demais para mim. No entanto, vale a pena assistir por causa dos efeitos visuais (e para aprender como sobreviver em mar aberto com um tigre haha).


Argo - Malu Corrêa


Confesso: nunca achei que Ben Affleck fazia o tipo diretor. O projeto de Argo então, me pareceu beeeeeeeem ambicioso da parte dele.

Por quê? Argo desvenda operações da CIA que até recentemente eram desconhecidas por nós, meros mortais. Assim, o filme pode ser considerado sério, e além do mais fazer filme do tipo “político” deve ser uma dor de cabeça só. Mas não é que o cara acertou em cheio? Affleck, que dirige, atua e produz o filme, mostra que merece estar entre os melhores up and coming diretores de Hollywood, e que veio para ficar.

O filme conta a história do resgate de 6 funcionários da Embaixada Americana no Irã, que foi invadida por revolucionários no final do ano de 1979. Os seis conseguiram escapar para a casa do embaixador canadense, enquanto o resto foi mantido refém. Enquanto isso, nos EUA, a CIA tenta criar um plano para tirá-los do país, e o que resolvem fazer parece quase irreal, se não bobo. 

Ben Affleck toma todos os cuidados necessários para fazer um filme sobre um tema tão delicado, sem exagerar demais a situação nem glorificar totalmente os EUA. Em termos cinematográficos, também se esforçou para adequar o filme à época, tornando-o mais semelhante possível de um da década de 1970.

Talvez Argo seja o grande underdog desse ano. O porquê de Ben Affleck não ter sido indicado é o grande dilema desse ano, e rolou muita intriga sobre o suposto desprezo da Academia em relação a ele. O elenco, que também fez um excelente trabalho, só recebeu uma indicação (Alan Arkin). Vamos ver se nos próximos anos levam Affleck mais a sério, né?



Indomável Sonhadora - Malu Corrêa


Praticamente todo ano, quando sai a lista dos indicados ao Oscar, tem um filme que você nunca ouviu falar. Às vezes, até mais. Para mim, Indomável Sonhadora foi o tal filme “desconhecido” desse ano.

Na minha opinião, esse foi o filme mais triste dos indicados. Tenho uma paixão por filmes que conseguem, com toda sua simplicidade, transmitir mensagens que te deixam pensando sobre a vida. A história da pequena Hushpuppy tem o agravante de te deixar com água nos olhos.

Nas margens de um rio no sul norte-americano, Hushpuppy vive em condições miseráveis numa pequena comunidade esquecida pelo mundo. Sem mãe e com um pai doente, Hushpuppy , aos 6 anos, vai construindo sua visão do mundo baseada em suas percepções da natureza. Ao tentar resolver os problemas causados pelas chuvas e inundações, a comunidade tenta explodir a barreira prendendo a água na região. Porém, a tentativa só agrava a situação, chamando a atenção do governo.

O que cativa no filme é o choque com a realidade que a pequena menina enfrenta, e como ela acaba aceitando o mundo como ele é; ciente da sua insignificância no universo mas certa de que é um pedaço fundamental dele (“I see that I am a little piece of a big, big universe, and that makes it right.”). A atriz Quvenzhané Wallis dá vida a personagem de forma belíssima, e merece ser a atriz mais nova a ser indicada ao Oscar.

Filmes como este normalmente não são os vencedores do grande Oscar, embora muitas vezes mereçam ser; festivais e premiações independentes e internacionais dão mais valor a produções como essa. De qualquer forma, é um filme emocionante e imperdível. Bem mais do que outros indicados, diga-se de passagem…


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