Praticamente todo ano, quando sai a lista dos
indicados ao Oscar, tem um filme que você nunca ouviu falar. Às vezes, até
mais. Para mim, Indomável Sonhadora foi o tal filme “desconhecido” desse ano.
Na minha opinião, esse foi o filme mais triste dos indicados. Tenho uma paixão
por filmes que conseguem, com toda sua simplicidade, transmitir mensagens que
te deixam pensando sobre a vida. A história da pequena Hushpuppy tem o
agravante de te deixar com água nos olhos.
Nas margens de um rio no sul norte-americano, Hushpuppy vive em condições
miseráveis numa pequena comunidade esquecida pelo mundo. Sem mãe e com um pai
doente, Hushpuppy , aos 6 anos, vai construindo sua visão do mundo baseada em
suas percepções da natureza. Ao tentar resolver os problemas causados pelas
chuvas e inundações, a comunidade tenta explodir a barreira prendendo a água na
região. Porém, a tentativa só agrava a situação, chamando a atenção do governo.
O que cativa no filme é o choque com a realidade que a pequena menina enfrenta,
e como ela acaba aceitando o mundo como ele é; ciente da sua insignificância no
universo mas certa de que é um pedaço fundamental dele (“I see that I am a
little piece of a big, big universe, and that makes it right.”). A atriz
Quvenzhané Wallis dá vida a personagem de forma belíssima, e merece ser a atriz
mais nova a ser indicada ao Oscar.
Filmes como este normalmente não são os vencedores do grande Oscar, embora
muitas vezes mereçam ser; festivais e premiações independentes e internacionais
dão mais valor a produções como essa. De qualquer forma, é um filme emocionante
e imperdível. Bem mais do que outros indicados, diga-se de passagem…
