The
way I see it, se você vai fazer um filme inspirado
em algum livro e não tem o autor te ajudando no screenplay, as chances de dar
tudo errado são GIGANTES. Considerando isso, você pode imaginar meu ceticismo
em assistir Os Miseráveis ano passado; mesmo seguindo os modelos do bem
sucedido musical da Broadway, fazer um filme é bem diferente, né?
Sinceramente? Gostei do filme. Gostei. Um projeto ambicioso, uma abordagem
diferente e um apoio gigante dos escritores do musical fizeram do filme
agradável e emocionante. É claro que grande parte do crédito vai a Victor Hugo,
que publicou a história em 1862, tornando-se um dos autores mais aclamados de
todos os tempos.
Para quem não conhece, Os Miseráveis retrata a França do século 19 por meio da
história de Jean Valjean (Hugh Jackman), um homem que foi condenado a anos de
prisão por roubar um único pão. Depois de cumprir sua pena e aprender uma lição
de vida (difícil contar sem spoilers, foi mal haha), Valjean muda de nome e
sobe na vida. Porém, ao longo dos anos ele é perseguido por um guarda da
prisão, interpretado por Russell Crowe. Como disse minha professora de
história, o filme é uma “aula de história“; as cenas em Paris, evidenciando os
efeitos da revolução, são de tirar o fôlego.
Efeitos visuais, maquiagem, figurino... Tudo de primeira, digno de um filme de
época bem feito. Hugh Jackman e Anne Hathaway, em especial, se dedicam
inteiramente aos seus personagens, o que resultou em atuações memoráveis.
Enfim, por que eu gostei? Pessoalmente, eu não curti o aspecto “musical” do
filme. Eu sei, eu sei; “COMO ASSIM”?! Foi mal, mas um filme quase COMPLETAMENTE
cantado de 2h40m fica um pouco cansativo. Além disso, a estratégia ousada do
diretor Tom Hooper em gravar as canções durante as filmagens trouxe resultados
mais reais, porém alguns atores não acertaram o tom em todas as cenas.
De um jeito ou de outro, Os Miseráveis é um bom filme sim, e merece todas as indicações que recebeu esse ano; e provavelmente vai levar parte delas para casa.
